Tomás Quintanilha: "Tarde de Chuva" foi concebida para ser um monumento ao tédio. Estávamos no Rio e não tínhamos dinheiro algum, portanto, não tínhamos nada para fazer. Sentei-me ao piano e a melodia principal saiu.
Adaílto Salomão: Foi muito difícil arrumar uma batida que combinasse com a levada do piano. Ficávamos eu e Solerte tentando encontrar uma solução, mas não encontrávamos nada...
Tomás Quintanilha: Era o tédio alimentando a si mesmo... foi a única que não conseguimos compor na improvisação...
Mestre Duarte: "Tarde de Chuva" foi a música mais demorada para gravar. Geralmente, era um dia, às vezes menos, para tocar, gravar e pronto: estava pronta uma música. "Tarde de Chuva" nos consumiu dias e dias...
Tomás Quintanilha: Não que fôssemos uns largados: é que não tínhamos mesmo dinheiro para pagar muitas horas de estúdio...
Adaílto Salomão: Nesse sentido, "Tarde de Chuva" é a música mais cara do nosso repertório...
Greg Manouva: Fica a impressão de que não houve consenso quanto ao final da música...
Tomás Quintanilha: As horas iam se passando, e não encontrávamos uma solução melódica para juntar o corpo da música com a melodia principal. Então, depois de muitas tentativas, apareceu a faxineira do estúdio, com um aspirador de pó, para começar a limpeza. Infelizmente, ou felizmente, ela não se importou muito com o fato de haver músicos ainda gravando, e ligou o aspirador. Ouvimos aquilo e achamos que seria, no mínimo, diferente usá-lo...
Adaílto Salomão: Ainda não estou certo se foi a melhor escolha... ou se foi a opção que podíamos pagar...
Mestre Duarte: Me lembro que o Solerte ficou bravo pra xuxu...
Tomás Quintanilha: De qualquer forma, "Tarde de Chuva" ainda me passa a impressão de ser uma forma do tédio nascido da pobreza...
sábado, 3 de fevereiro de 2007
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