terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

Os Olhos da Menina Quando Ele Disse Não - comentada

Tomás Quintanilha: Essa escrevemos ao vivo, no Fordúncio do João, lá em Quiririm. Estávamos improvisando no final de "Espiral de Minutos" quando Mestre Duarte apareceu com o tema que, depois, acabei utilizando para o piano.

Mestre Duarte: Não foi intencional. Apareceu o tema e, depois, foram aparecendo outros elementos que adicionamos à música...

Tomás Quintanilha: O problema foi se lembrar de tudo, no dia seguinte...

Greg Manouva: Vocês ensaiavam todos os dias, inclusive depois dos shows?

Adaílto Salomão: Bom, Quiririm não é uma cidade muito ativa... naquela época, então...

Mestre Duarte: O Q=MC era tudo o que tínhamos para fazer, além de trabalhar...

Tomás Quintanilha: No dia seguinte ao show, eu despertei com a melodia na cabeça. Quando nos encontramos, depois do almoço, pedi à todos que se lembrassem de tudo o que havíamos tocado no final de "Espiral de Minutos". Fomos recuperando aos poucos, e cada trecho que recordávamos era celebrado com muita cerveja...

Mestre Duarte: É claro que não foi uma boa idéia essa celebração. No meio da tarde, já estávamos quase bêbados... e com pouca memória!

Adaílto Salomão: Mas muito do que tocamos no palco do Fordúncio do João está na gravação de "Os Olhos da Menina Quando Ele Disse Não".

Tomás Quintanilha: Um outro problema foi quando nos mudamos para o Rio. Nós não gravávamos os ensaios nem os shows, era tudo muito difícil. Por isso, quando entramos no estúdio pela primeira vez, quisemos gravar direto essa música, porque ela não foi composta racionalmente, ela foi fruto de um momento que estava apenas na nossa memória...

Mestre Duarte: E, com todas as preocupações que tínhamos naquela época, muito do que conseguimos nos lembrar em Quiririm se perdeu no Rio...

Tomás Quintanilha: ...de forma que a versão gravada também perdeu elementos que havíamos descoberto no palco do Fordúncio do João...

Adaílto Salomão: Podemos dizer que a versão original era muito superior à versão que acabamos tornando oficial. Mas o original, só quem estava no Fordúncio ouviu...

Mestre Duarte: E duvido que haja alguém que se lembre dela...

Tomás Quintanilha: Viver é perder algo, sempre.

Greg Manouva: E a letra?

Tomás Quintanilha: Foi escrita no Rio, em circunstâncias muito pessoais. Éramos fãs de duas cantoras: Elis Regina e Nara Leão. Imaginávamos que poderíamos convencer uma das duas a cantá-la. Então, escrevi a letra numa levada só, depois que o Adaílto contou a história que inspirou a letra (consulte o post abaixo). Tentamos levar a fita pronta para os empresários das duas cantoras, mas o esforço era demais: não conhecíamos ninguém que poderia nos ajudar, e nos shows, era imensamente difícil entrar nos camarins. Desistimos de tentar as duas, e como nenhum de nós cantava, a letra ficou solta. Pelo menos, agora quem ouvir a música e ler a letra poderá imaginar a melodia que tínhamos composto, na voz da Elis ou da Nara Leão... ou então, escrever a sua própria melodia!

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