domingo, 4 de fevereiro de 2007

Os Olhos da Menina Quando Ele Disse Não - letra

"Caro Greg,

muito obrigado pelo seu trabalho. Vi a página no MySpace, mas ainda não vi a página na TramaVirtual. Infelizmente, terei de negar seu pedido: além de não termos mesmo fotos daquela época, não acredito que seja uma boa idéia nos deixarmos se fotografar agora. Não seria justo com o Solerte, visto que não é possível encontrá-lo. E também não seria justo conosco... afinal, não se pode dizer que o tempo foi bondoso com cada um de nós.

De qualquer forma, estive remexendo em uns papéis antigos e encontrei algo que pode te interessar. Estávamos no Rio, em 1965, quando uma francesa se apaixonou perdidamente pelo Adaílto Salomão. A questão é que o romance era impossível, e o Adaíto entendeu isso de cara - porém a francesa, não. Talvez porque ela estivesse de passagem, e nem português falasse.

O último encontro dos dois (uma pena que não consiga me lembrar do nome dela, talvez o Adaílto possa lhe dizer) inspirou a letra de "Os Olhos da Menina Quando Ele Disse Não".

Estávamos trabalhando nos arranjos da música quando o Adaílto chegou ao estúdio, depois do último encontro com a francesa. Ele estava impressionado com os olhos dela - eram negros, brilhantes, e pareciam dois redemoinhos de onde irradiavam toda a tristeza, ele nos disse.

Bom, esse é o contexto. Claro que nunca chegamos a gravar a música com a letra, afinal nenhum de nós cantava e ninguém quis interpretá-la também. Mas fica o registro.

Os Olhos da Menina Quando Ele Disse Não

e quando ela se aproximou
e viu o céu nublado em seus olhos
disse: "Quero ficar com você"
mas ele falou, "Você não merece isso
porque me conheceu na felicidade"
e ela respondeu, "Deixe-me então
te conhecer na tristeza"
e ele ficou a observá-la,
e ela se aproximou, e tomou seu
rosto entre as mãos, quieta
sem se perturbar enquanto os trovões
dilaceravam seu rosto, fechou os olhos
e esperou o beijo que tanto quis,
mas sem abrir seus olhos viu que suas mãos
ficaram vazias, e então sentiu a tempestade
cravar em seu rosto enquanto ele ia embora.

Obrigado por tudo,

Tomás Q."

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